Mozambique

Sistemas Agroflorestais

Agricultura Sustentável para um AMBIENTE MELHOR

©FAO/Marta Barroso

28/08/2025

Castro Fernando inclina-se sobre a pequena mangueira e sorri enquanto poda cuidadosamente a muda. Apesar de ter pouco mais de trinta anos, os seus traços marcados pelo tempo sugerem o contrário, mas as suas mãos movem-se com precisão, removendo as folhas secas. Hoje é dia de transplantação, e Castro selecciona cuidadosamente as plantas que levará para a sua machamba.

Cada membro do viveiro comunitário — estabelecido com o apoio do Governo de Moçambique e da FAO, no âmbito do programa PROMOVE Agribiz financiado pela União Europeia — receberá 300 mudas de espécies florestais e fruteiras. A selecção inclui espécies como pterocarpus e afzelia, bem como mangueiras e limoeiros, todas destinadas a serem plantadas nos próprios sistemas agroflorestais dos produtores. O viveiro, com capacidade para 50 000 mudas, produz igualmente khaya nyasica, goiabeiras, anoneiras e moringa.

Juntamente com outros produtores da comunidade de Impuíte, no distrito de Alto Molócuè, província da Zambézia, Castro aprendeu a construir o viveiro e a preparar o substrato para promover um desenvolvimento radicular robusto. Hoje compreende que as plantas, tal como as pessoas, precisam de água para prosperar e de nutrientes para crescer. “E se plantas hoje, não cortas amanhã”, afirma, sublinhando a importância da paciência e do cuidado.

Impuíte é um dos 36 viveiros comunitários estabelecidos pela FAO nas províncias de Nampula e Zambézia. Castro é um dos 5 000 pequenos produtores que estão a plantar aproximadamente 1,7 milhões de árvores nas suas machambas.

Mulheres a regar mudas. © FAO/Ricardo Franco

“Os nossos rios não vão secar tão depressa.”

A maioria das sementes utilizadas no viveiro é obtida localmente, mas outras — como o mbaua, uma espécie florestal nativa — exigem longas caminhadas para a sua recolha. “São 20 quilómetros a pé”, explica Castro. “É um sacrifício, mas vale a pena.” Tal como dedicar três dias por semana ao trabalho no viveiro. Enquanto alguns membros enchem sacos plásticos com substrato, outros semeiam, transplantam, regam, podam e verificam a presença de pragas. “Fazemos isto por nós, mas também pelos nossos filhos”, acrescenta, “porque se pararmos, vamos destruir o ambiente para sempre.”

Com o carrinho de mão já carregado com o primeiro lote de mudas, Castro reflecte sobre as mudanças no clima. “Antigamente chovia muito. Agora demora muito mais. Pode chover hoje e depois não voltar a chover durante um mês inteiro.” Foi por isso que a comunidade percebeu que plantar árvores vale a pena. As árvores darão sombra e, quando chover, “a copa vai suavizar o impacto. A chuva não vai bater directamente no solo.” Quando crescerem, as árvores protegerão a terra da erosão, resguardarão culturas mais altas dos ventos fortes e, quando as folhas caírem, “transformar-se-ão em adubo natural.”

Ao plantar árvores, Castro acredita que estão a contribuir para um Ambiente Melhor: “Os nossos rios não vão secar tão depressa. As nossas lagoas não vão secar tão depressa.” As árvores em redor das massas de água ajudam a reter a humidade. “Com árvores por perto, as lagoas e os rios demoram mais tempo a secar. Haverá sempre água.”

EMC da Escola na Machamba do Agricultor.. © FAO/Ricardo Franco

“Estas árvores vão ajudar a regular o clima nas nossas machambas.”

Na machamba de Castro, fitas coloridas — vermelhas, azuis, amarelas e cinzentas — esvoaçam presas a estacas que assinalam diferentes pontos ao longo do hectare de terra. Cada cor representa uma espécie distinta, cuidadosamente distribuída de acordo com um plano de plantio impresso que segura nas mãos. Há uma estratégia por detrás do sistema agroflorestal.

Através da formação recebida, Castro aprendeu que os sistemas agroflorestais podem aumentar significativamente a produtividade agrícola. “Com estas árvores, vamos conseguir regular o microclima nas nossas machambas. As nossas culturas beneficiarão de um controlo natural de pragas e doenças, o solo reterá mais humidade e, no geral, as condições irão melhorar.” Isto não só fortalece a resiliência agrícola — como também contribui para a diversificação da alimentação e das fontes de rendimento.

Os viveiros estão igualmente abertos às comunidades vizinhas. “Quem quiser mudas pode vir comprá-las”, explica Castro. “Assim, também conseguimos algum rendimento.” Parte desses ganhos é destinada ao fundo de poupança do grupo, utilizado em situações de emergência, como despesas de saúde. O grupo já planeia construir um segundo viveiro. Porque, como afirma Castro, “estamos a fazer isto pelo nosso futuro e para ensinar à próxima geração que, para respirar, precisamos de ar limpo. E para ter ar limpo, precisamos de árvores. Sem árvores, vamos adoecer.”

“Estamos a trabalhar por nós e para ensinar os nossos filhos que, para respirar, precisamos de ar puro. Para termos ar puro, precisamos de árvores. Sem árvores, vamos adoecer.”




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