Mozambique

Multiplicação Local de Sementes

Quality inputs for BETTER PRODUCTION

Damião Caixão – Multiplicador Local de Sementes

©Marta Barroso

26/08/2025

Damião Caixão está feliz — muito feliz, na verdade. Nesta campanha, espera colher 20 toneladas de milho na sua machamba. “É uma boa produção. Muito boa mesmo.” Caixão é multiplicador de sementes na aldeia de Namilepe, no distrito de Alto Molócuè, província da Zambézia. Para colher os seus mais de quatro hectares, conta com o apoio da família: a esposa, dois filhos, uma nora e os netos.

Mas Caixão nem sempre foi multiplicador de sementes. Trabalhou anteriormente como operador de máquinas e tractorista e, na machamba, “fazia apenas agricultura normal”. Isso mudou quando o programa PROMOVE Agribiz, financiado pela União Europeia, chegou à sua comunidade, e o Governo de Moçambique e a FAO o formaram em multiplicação de sementes. “Ensinaram-me a multiplicar sementes — as melhores sementes”, conta. Foi há quatro anos. Desde então, tornou-se “bem preparado na multiplicação de sementes”: acompanha o desenvolvimento das culturas, faz a monda no momento certo e controla as pragas atempadamente para evitar prejuízos. É isso, afirma, que “inspira a comunidade” a comprar-lhe sementes. “As pessoas passam, ficam admiradas com a machamba e com a qualidade do milho. Dizem: ‘Homem, no próximo ano quero comprar a ti.’”

“Vender sementes na comunidade é uma vitória para mim.”

A variedade multiplicada por Damião Caixão é a ZM523, conhecida pela sua tolerância à seca e à baixa fertilidade dos solos. Esta variedade melhorada de milho está adaptada às condições agroclimáticas locais, é resistente ao stress ambiental e tem capacidade para produzir rendimentos mais elevados. “O que me motiva a multiplicar sementes é ver que cada vez mais pessoas as compram e melhoram a sua produção”, afirma. As sementes que utilizavam anteriormente “quase não produziam nada, porque não resistiam à seca”. As suas sementes, por outro lado, “são mais resilientes às mudanças climáticas.”

© FAO/Ricardo Franco

A loja de insumos mais próxima fica a 25 km de Namilepe — uma viagem de mais de 90 minutos de motorizada ou mais de três horas de bicicleta por estradas de terra em más condições. O trabalho de Caixão leva insumos de qualidade directamente à comunidade. Os produtores locais já não precisam de percorrer longas distâncias, pagar transporte ou depender de grão em vez de sementes certificadas. As suas sementes são também mais acessíveis, custando menos de metade do preço praticado na vila. O impacto na comunidade é significativo, afirma com orgulho. “As pessoas vêm procurar sementes quando já esgotaram as suas”, o que demonstra que, mesmo a um preço mais baixo, a procura é elevada e todos beneficiam. “Vender sementes aqui na comunidade é uma vitória para mim.”

“Com esta produção, vejo que já estou a avançar.”

Ainda assim, existem desafios. Para a próxima debulha, Caixão precisará de contratar mão-de-obra. O motor da sua debulhadora está avariado e debulhar manualmente 20 toneladas de milho poderá levar meses. “Essa é a minha preocupação agora — teremos de vender parte do milho para pagar às pessoas que nos vão ajudar.”

Apesar dos obstáculos, mantém-se optimista. A multiplicação de sementes reforçou o seu rendimento e o seu papel na promoção da auto-suficiência da comunidade. “Agora estou a trabalhar para comprar uma motobomba de grande capacidade”, explica, “para também poder produzir sementes na época fresca, porque vejo que há escassez.” A produção melhorou significativamente, afirma. “Olhando para o que já alcancei e comparando com a forma como trabalhava antes, sei que estou a fazer progressos reais.”

© FAO/Ricardo Franco

“O dinheiro que ganho com a multiplicação de sementes não é para ficar parado; tenho de correr e ver se consigo garantir o futuro dos meus filhos.”


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