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FAO no Brasil

Diretor-geral da FAO alerta sobre o aumento alarmante do excesso de peso e da obesidade na América Latina e no Caribe

06/03/2018

Graziano da Silva pediu aos governos para consolidar a luta contra a fome e redobrar os esforços contra o excesso de peso e a obesidade, que afetam 20% dos adultos em 24 países. 

6 de março de 2018, Montego Bay - O Diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, pediu hoje aos governos da América Latina e do Caribe que mantenham a luta contra a fome no topo da agenda política e, ao mesmo tempo, enfrentem os níveis alarmantes de sobrepeso e obesidade com uma transformação radical dos sistemas alimentares. 

"Erradicar a fome não deve ser a única preocupação em uma região na qual o sobrepeso afeta 7% das crianças menores de cinco anos e na qual 20% dos adultos dos 24 países são obesos", disse Graziano da Silva na abertura da 35ª Conferência Regional para América Latina e Caribe (LARC)

Em um feito sem precedentes, a reunião (5 a 8 de março) na capital jamaicana conta com 33 representantes dos países, todos da região. 

"Devemos alcançar sistemas alimentares verdadeiramente sustentáveis nos quais a produção, a comercialização, o transporte e o consumo de alimentos garantam uma alimentação  realmente nutritiva", afirmou Graziano da Silva, lembrando que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável2 insta a erradicar todas as formas de má nutrição. "O consumo de produtos locais frescos que substituam os alimentos altamente processados também é fundamental", acrescentou. 

O Diretor-Geral da FAO enfatizou que o mundo está testemunhando uma "epidemia mundial" de sobrepeso e obesidade que está aumentando tanto nos países desenvolvidos e como nos em desenvolvimento. 

De acordo com os últimos dados da FAO, mais de 1,9 bilhão de adultos tem excesso de peso no mundo e, destes, mais de 650 milhões são obesos. A situação é especialmente preocupante na América Latina, onde a obesidade afeta 96 milhões de adultos. 

A fome continua a ser um problema, mas a sua erradicação é possível

Graziano da Silva lembrou que, em 2015, a América Latina e o Caribe se tornaram um exemplo global, sendo a primeira região do mundo a cumprir as duas metas internacionais de redução da fome. No entanto, de acordo com o Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e no Caribe 2017, o número total de pessoas que sofrem de fome na região aumentou de 40 para 42,5 milhões. 

Apesar deste recuo, o Diretor-Geral da FAO está convencido de que o mesmo compromisso político que possibilitou alcançar ambas as metas, conseguirá reverter essa tendência.

 Os países, afirmou, devem continuar a apostar em políticas sociais, econômicas e produtivas mais inclusivas, e pelo desenvolvimento dos sistemas legislativos e de governança necessários para promover a segurança alimentar. "Isto é fundamental para alcançar o compromisso da CELAC de atingir a fome zero até 2025", acrescentou.

 A este respeito, o Diretor-Geral da FAO agradeceu o trabalho exitoso das Frentes Parlamentares contra a Fome, já estabelecidas em 19 países da região. 

Mais proteção social e fortalecimento da agricultura familiar

Em seu discurso, o Diretor-Geral da FAO disse que a combinação de medidas de proteção social com o fortalecimento da agricultura familiar, que gera desenvolvimento local e contribui para a dinamização dos territórios, é crucial para reduzir a pobreza rural e enfrentar as diferentes formas de má nutrição. 

Graziano da Silva encorajou os governos a aproveitar a oportunidade oferecida pela Década da Agricultura Familiar proclamada pela ONU (2019-2028), que visa chamar a atenção para as pessoas que produzem mais de 80% da alimentação do planeta e que, paradoxalmente, são muitas vezes as mais vulneráveis à fome. 

Mitigação e adaptação às mudanças climáticas

As mudanças climáticas estão afetando profundamente os sistemas agroalimentares em todo o mundo e, em particular, os países da região que sofreram recentemente desastres naturais como o terremoto no México ou os furacões que devastaram enormes territórios na América Central e no Caribe. 

Por esse motivo, o Diretor-Geral da FAO pediu aos países que promovam a adaptação da agricultura às mudanças do clima, especialmente para proteger as comunidades rurais pobres. 

Nesse sentido, Graziano da Silva forneceu o apoio da FAO para desenhar projetos e mobilizar apoio financeiro por meio, entre outros, do Fundo Verde do Clima (FVC). Na semana passada, o Fundo aprovou a primeira proposta de financiamento da FAO: um projeto de mitigação e adaptação às mudanças climáticas de US $ 90 milhões, desenvolvido conjuntamente pela FAO e o Governo do Paraguai. 

Graziano da Silva também chamou a atenção para a importância de preservar a biodiversidade na região, lar de uma grande variedade de espécies de plantas e animais importantes para a agricultura, a alimentação e o turismo.