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Fórum Regional das Cidades Latino-Americanas Signatárias do Pacto de Milão reúne especialistas para debater políticas de alimentação urbana

29/05/2019

Rio de Janeiro  -  “Cidade e campo devem se relacionar de forma engajada para transformar os compromissos globais que abordam a segurança alimentar, a nutrição e as mudanças climáticas em realidades locais. Para tanto, é necessário preservar nossos recursos naturais e, sobretudo, a biodiversidade do planeta, integrando ações sustentáveis e responsáveis desde a produção até o consumo de alimentos”, disse José Graziano da Silva, Diretor-Geral da FAO, em vídeo mensagem para a abertura do 1º Fórum Regional das Cidades Latino-Americanas Signatárias do Pacto de Milão sobre Política de Alimentação Urbana.

O evento, que teve início na tarde de hoje (29/05), reúne especialista da FAO, da OPAS, da OMS e da ONU-Habitat, além de representantes de 14 cidades signatárias do Pacto de Milão para debater políticas alimentares seguras, inclusivas e sustentáveis, que envolvam questões como diversidade, respeito à natureza e minimização do desperdício.

Segundo Epitácio Brunet, subsecretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Planejamento do Rio de Janeiro, o grande desafio que será debatido durante os três dias de evento é como assegurar alimentação de qualidade para todos, sinalizando para os governantes que as políticas públicas voltadas para a alimentação têm que ter seus recursos assegurados. “O evento facilitará a construção de uma rede de troca de informações sobre as melhores práticas entre as cidades e vai gerar conscientização e pontes de cooperação”, opinou.

Para Rafael Zavala, Representante da FAO no Brasil, essa integração e compartilhamento de conhecimento entre as cidades e as nações é necessária na criação de uma aliança global para que a alimentação e a agricultura sejam soluções para um futuro melhor, e não problemas. “Até 2050, com a população global se aproximando dos 10 bilhões de habitantes, nosso suprimento de alimentos estará sob forte estresse. A demanda será 60% maior do que é hoje, mas a mudança climática, a urbanização e a degradação dos solos terão reduzido a disponibilidade de terras aráveis. Não há mais espaço para se produzir alimentos que não seja de forma sustentável, focando nos produtos frescos e locais”, destacou Zavala.

O Rio de Janeiro, escolhido entre as 187 cidades signatárias do Pacto de Milão, recebe o fórum graças a seu protagonismo no setor de segurança alimentar. Um dos destaques da atuação da cidade no tema é o Programa de Restaurantes Populares, que já serviu 2,7 milhões de refeições com cardápio saudável a preços simbólicos nas unidades de Bangu, Campo Grande e Bonsucesso. O programa de alimentação escolar da cidade também é outro exemplo da atuação carioca, oferecendo, diariamente, 1,5 milhão de refeições saudáveis em unidades de ensino.

Nos próximos dois dias, o Fórum, que é realizado no Museu de Arte do Rio (MAR), oferecerá palestras, mesas-redondas e workshops que vão discutir temas como “Alimentação e identidade”, “Território e sustentabilidade” e “Realizações e desafios dos sistemas de alimentação urbana da América Latina”. Ao final do evento, na sexta-feira, as autoridades participantes assinarão a Declaração do Rio, um documento com compromissos gerais para uma aliança latino-americana das cidades signatárias do Pacto de Milão.

I Fórum da Rede de Alimentação Escolar Sustentável

Paralelamente ao evento, foi realizado na tarde de ontem e na manhã de hoje o I Fórum da Rede de Alimentação Escolar Sustentável dos países da América Latina e do Caribe. Com a presença de gestores de 19 países da América Latina e Caribe e de dirigentes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o Fórum discutiu a alimentação escolar como mecanismo de ação em favor da Década de Ação sobre a Nutrição e da Agenda de Desenvolvimento Sustentável 2030. A Rede se propôs a subsidiar o debate junto às cidades signatárias do Pacto de Milão.

Segundo Najla Veloso, coordenadora do Projeto de Consolidação dos Programas de Alimentação Escolar na América Latina e Caribe, nesses dez anos de trabalho, a intenção da Rede é fortalecer e consolidar uma política nacional que atenda a todos os estudantes, indiscriminadamente. “Esses números de má nutrição, de obesidade, de baixos indicadores de aprendizagem e rendimento e de altos indicadores de absenteísmo, não vão melhorar sem que tenhamos clareza de que, sejam filhos de ricos ou pobres, todos precisam se educar com relação a alimentação. E a melhor maneira que a gente tem de fazer isso é oferecendo, de maneira sistemática, continua e responsável uma alimentação adequada nas escolas em todos os dias letivos”, frisou Najla.

O Pacto de Milão

O Pacto de Milão sobre Política de Alimentação Urbana foi assinado em outubro de 2015 na cidade italiana que dá nome ao documento e representa um dos legados mais importantes da EXPO 2015, evento mundial cujo tema foi “Nutrir o Planeta, Energia para Vida”.

O objetivo da iniciativa é criar uma rede de cidades comprometidas com o desenvolvimento e a implementação de sistemas alimentares sustentáveis. O Pacto estimula a troca de ideias e de sugestões sobre como abordar concretamente problemas comuns sobre temas que envolvam alimentação.

Estão previstas duas outras reuniões este ano. O 3º Fórum Regional das cidades signatárias africanas de língua francesa será realizado em Niamey, Níger, em junho. Em outubro será a vez de Montpellier, França, sediar o 5º Encontro anual das cidades signatárias do Pacto.