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FAO in Portugal

Aproveitar o grande potencial da juventude de África para alcançar o desenvolvimento sustentável

O Diretor-Geral da FAO atribuiu ênfase à necessidade de criar empregos para os jovens e capacitar as áreas rurais para a utilização das tecnologias digitais.
20/08/2018

Kigali – Os jovens de África são a chave para alcançar o desenvolvimento sustentável do continente, mas a realização deste grande potencial requer a criação de mais empregos, inclusive nos setores agrícolas que estão cada vez mais digitalizados, declarou o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva.

"É imprescindível tornar a agricultura mais atraente para os jovens. Estes devem encarar a agricultura como um setor remunerado e lucrativo e a disseminação das tecnologias de informação e comunicação (TICs) nas áreas rurais desempenha um papel importante nesse sentido", salientou Graziano da Silva na abertura da Conferência Internacional Youth Employment in Agriculture as a Solid Solution to ending Hunger and Poverty in Africa, em Kigali.

O evento de dois dias, organizado pelo Governo do Ruanda, a União Africana e a FAO, tem um foco especial no emprego jovem, nas TIC e no empreendedorismo. Entre os principais oradores, constam a Ministra da Agricultura e Recursos Animais do Ruanda, Geraldine Mukeshimana, a Comissária da União Africana para a Economia Rural e Agricultura, Josefa Leonel Correia Sacko, e o Diretor-Geral da Organização para o Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas, Li Yong.

À medida que a população da África cresce, aumentará a procura por alimentos

Graziano da Silva observou que estima-se que a procura por alimentos na África irá crescer em mais de 50% nos próximos anos, devido ao contínuo crescimento populacional, à rápida urbanização e às mudanças na dieta alimentar, à medida que o rendimento das famílias aumenta. O Banco Mundial espera que o agronegócio africano crie um mercado de 1 trilhão de dólares até 2030.

O setor agrícola tem "um potencial inestimável e inexplorado para enfrentar o desafio do desemprego entre os jovens, no entanto, os jovens que buscam obter um sustento digno a partir da agricultura enfrentam numerosas restrições", relatou Graziano da Silva.

O Diretor-Geral apontou que, aos jovens, geralmente são reservados empregos sazonais ou temporários, com acesso limitado à formação relevante e preparação técnica; acesso limitado a financiamento, informação e mercados; e baixo envolvimento nos processos de tomada de decisão.

“Essas restrições impedem os jovens de iniciar um negócio agrícola próprio. Como resultado, os jovens rurais migram”, afirmou.

Preparar jovens para entrar no mercado de trabalho

"Nos próximos anos, as atividades agrícolas exigirão mais competências digitais", alegou Graziano. As cooperativas ou outras formas de associação representam "a melhor maneira de facultar assistência técnica, capacitação e acesso à modernas tecnologias para os agricultores familiares e jovens profissionais".

O Diretor-Geral da FAO também declarou que existe uma necessidade de "pensar além dos empregos na fazenda" e explorar oportunidades de emprego em toda a cadeia agroalimentar. A crescente procura por produtos de alto valor nas áreas urbanas oferece múltiplas oportunidades de emprego no processamento, distribuição, marketing e comércio de produtos alimentares.

Para alcançar esse objetivo, é necessário "um novo tipo de transformação rural", o que implica equipar as áreas rurais com serviços básicos como educação, saúde, eletricidade, acesso à internet, etc. "Esses serviços constituem outra fonte importante de emprego, especialmente para os jovens e as mulheres", disse Graziano da Silva.

 O papel da FAO

O Diretor-Geral garantiu aos participantes da conferência que a FAO continuará a fortalecer suas atividades com o intuito de apoiar os países na realização do potencial da agricultura e dos sistemas alimentares para criar mais oportunidades de emprego para os jovens.

Em particular, a FAO pode apoiar os países no desenvolvimento e implementação de estruturas legais e regulatórias e serviços designados para a inclusão dos jovens no mercado laboral, bem como facultar aos jovens a necessária formação em alfabetização financeira, desenvolvimento e gestão de negócios, assim como em soluções inovadoras de finanças digitais.