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FAO in Portugal

Um milhão de espécies ameaçadas de extinção a um ritmo sem precedentes

09/05/2019

O relatório da Plataforma Intergovernamental Sobre a Biodiversidade e os Serviços Ecossistémicos (IPBES), publicado esta segunda-feira pelas Nações Unidas, alerta que um “declínio sem precedentes” na história da humanidade está em curso neste momento. Um milhão das oito milhões de espécies animais e vegetais existentes na Terra estão ameaçadas de extinção e poderiam desaparecer em questão de décadas se medidas efetivas, urgentes e decisivas não forem tomadas.

Este impacto não será só ambiental: está ameaçada boa parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável fixados pelas Nações Unidas, da economia global, da luta contra a pobreza, contra a fome e por uma melhor saúde do ser humano. O relatório afirma que não é possível separar objetivos ambientais de metas de desenvolvimento e que a atual tendência negativa enfraquecerá os avanços em 80% das metas estipuladas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente em matéria de fim da pobreza, fome, saúde, água, cidades sustentáveis, clima, vida submarina e ecossistemas terrestres.

“A saúde dos ecossistemas dos quais nós e todas as outras espécies dependemos está a deteriorar-se mais rapidamente do que nunca. Estamos a erodir as próprias fundações de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo. O relatório também nos diz que não é tarde demais para fazer a diferença, mas apenas se começarmos agora em todos os níveis, do local ao global” afirmou o Presidente do IPBES, Sir Robert Watson.

Na agricultura, a avaliação recomenda a promoção de boas práticas agrícolas e agroecológicas, o planeamento multifuncional da paisagem, fornecendo simultaneamente a segurança alimentar e nutricional, oportunidades de subsistência, manutenção de espécies e funções ecológicas, e a gestão integrada intersetorial. O relatório também aponta para a importância de um engajamento mais profundo de todos os atores do sistema alimentar, incluindo produtores, setor público, sociedade civil e consumidores, e de uma gestão mais integrada da paisagem e das bacias hidrográficas. Além disso, destaca a importância da conservação da diversidade de genes, de raças e espécies; bem como abordagens que capacitam os consumidores e produtores para uma melhor distribuição dos alimentos, revitalizando as economias locais e reduzindo o desperdício alimentar.

“Pode-se deter esta crise”, explica Paul Leadley, um dos autores do estudo, mas isso vai exigir “uma transformação do nosso modo de desenvolvimento”. Entre as políticas a mudar estão os “subsídios ruins para o meio ambiente”, como os da indústria energética, do transporte ou agrícolas, afirmou Robert Watson. “Necessitamos de um paradigma económico modificado para um futuro mais sustentável”, disse.

Elaborado durante os últimos três anos por 145 especialistas de 50 países, com a colaboração de outros 310 cientistas, o estudo intitulado Avaliação Global do IPBES sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas avalia as mudanças nas últimas cinco décadas e é um dos mais amplos já realizados em escala mundial.