Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe

Mulheres que cultivam o futuro na América Latina e no Caribe

07/09/2026

©FAO/Willie de León

Das hortas escolares de Belize aos territórios quilombolas do Brasil, agricultoras, pescadoras, docentes, pesquisadoras e lideranças rurais, com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), impulsionam soluções que fortalecem a segurança alimentar, geram meios de vida, cuidam do meio ambiente e de suas famílias e transformam suas comunidades.

Foto 1

©FAO/Elevernie Davis

As agricultoras da América Latina e do Caribe enfrentam barreiras no acesso à terra, aos recursos produtivos e à tomada de decisões. A FAO trabalha para acelerar o empoderamento das mulheres, promovendo políticas públicas, alianças, investimentos, capacidades, evidências e enfoque de gênero para transformar os sistemas agroalimentares e avançar rumo a territórios mais sustentáveis e inclusivos. No âmbito do Ano Internacional da Agricultora 2026, cinco histórias de vida mostram como, a partir de diferentes territórios da região, as mulheres são agentes da transformação dos sistemas agroalimentares.


Foto 2

©FAO/Willie de León

Na Guatemala, Isabela Juárez, de 26 anos, é uma jovem indígena de Quiché, promotora comunitária e líder da Associação Tierra Ixil, que abriu caminhos onde as oportunidades econômicas para as mulheres têm sido limitadas. Por meio do projeto “Recuperação de meios de vida e empreendimentos em zonas rurais (REME)”, implementado pela FAO com o governo e a União Europeia, recebeu capacitação no manejo e cuidado de aves, bem como no fortalecimento de empreendimentos rurais. Hoje, aplica esses conhecimentos para melhorar sua produção, diversificar sua renda e fortalecer sua segurança alimentar.


Foto 3

©FAO/Willie de León

O impacto da formação técnica de Isabel transcende seu lar. Como líder comunitária, acompanha e capacita outras mulheres, replicando conhecimentos que transformam suas comunidades na Guatemala: cada vez mais mulheres contam com galinheiros sustentáveis em seus lares, o que lhes permite ter acesso a alimentos frescos e nutritivos, bem como gerar renda adicional por meio da venda de excedentes. Essa experiência a motivou a integrar-se à associação, onde, junto com a FAO, impulsiona a construção de estufas para gerar oportunidades de emprego para jovens e oferecer alternativas que contribuam para reduzir a migração em sua comunidade.


Foto 4

©FAO/Júnior Campelo

No Quilombo Boa Vista, no Maranhão, Nordeste do Brasil, famílias como a da quebradeira de coco Maria Ribamar, conhecida como Ribinha, viviam e produziam há gerações com medo de perder o que haviam plantado e construído por não terem a posse da terra regularizada em seu nome. Essa incerteza está mudando com o apoio do projeto “Terras para elas”, financiado pelo Governo do Canadá, implementado pelo Governo do Maranhão por meio do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma), com apoio técnico da FAO


Foto 5

©FAO/Júnior Campelo

Ribinha faz parte da cooperativa de mulheres Sabor e Arte, que, a partir do coco de babaçu, produz artesanato e alimentos como óleo de babaçu, farinha de mesocarpo e biscoitos. Essa iniciativa, que beneficiará 2.500 agricultoras no Brasil, além de receber os títulos de propriedade, as mulheres são capacitadas em práticas produtivas sustentáveis e empreendedorismo. Com segurança jurídica, o território de Ribinha está se tornando uma fonte segura de renda, autonomia, produção, novas oportunidades, dignidade, trabalho comunitário e pertencimento.


Foto 2

©FAO/Elevernie Davis

Quando a professora de educação primária Elevernie Davis começou a ensinar na Escola Primária SDA Eden de Belize, ela não tinha horta e os estudantes contavam com oportunidades limitadas para aprender de onde vinham seus alimentos. Agora, por meio do projeto implementado pela FAO junto ao Governo de Belize, “Aumentar a acessibilidade e a aceitação de produtos nutritivos subutilizados cultivados localmente nos programas nacionais de alimentação escolar de Belize”, Elevernie combina o ensino em sala de aula com a aprendizagem prática, ajudando os estudantes a desenvolver habilidades agrícolas práticas enquanto contribuem com vegetais frescos para refeições escolares nutritivas.


Foto 7

©FAO/Elevernie Davis

O sucesso da iniciativa se estende para além dos terrenos da escola, e alguns estudantes estabeleceram hortas em seus lares e compartilham seus conhecimentos com seus familiares. A professora Elevernie ajuda os estudantes a aplicar conceitos agrícolas para além da sala de aula, fomentando a responsabilidade, o trabalho em equipe e a valorização de uma alimentação saudável. Hoje, cerca de 800 estudantes e mais de 50 docentes foram capacitados, contribuindo para sistemas alimentares locais mais resilientes e para uma cultura mais sólida de nutrição e sustentabilidade nas escolas de Belize.


Foto 2

©FAO/Hernán Barceló

Alda Rodríguez é engenheira agrônoma, doutora em Ciências Agrárias, produtora e fundadora da BIO Uruguay, organização dedicada a promover sistemas sustentáveis de produção agropecuária situada em Tacuarembó, Uruguai. Em sua propriedade familiar, integra horticultura, animais, árvores frutíferas, conservação de sementes, elaboração de alimentos, tratamento natural da água e espaços educativos, sob um enfoque agroecológico. A partir desse centro de experimentação, localizado a 400 quilômetros da capital do Uruguai, pesquisa e desenvolve bioinsumos a partir de microrganismos nativos como alternativa aos pesticidas de síntese química.


Foto 2

©FAO/Hernán Barceló

No desenvolvimento da ciência, da inovação e do talento local em conexão com a terra, Alda enfrentou barreiras regulatórias e dificuldades de financiamento. Sua participação no «Projeto Pesticidas» no Uruguai, implementado pelos ministérios do Meio Ambiente e da Pecuária, Agricultura e Pesca, com apoio técnico da FAO e financiamento do GEF, permitiu à BIO Uruguay avançar no desenvolvimento de um bioformicida. Hoje, seus bioinsumos são utilizados e avaliados em diferentes sistemas produtivos, desde cultivos como soja e arroz até a pecuária bovina, ampliando as alternativas para reduzir o uso de produtos de síntese química e avançar rumo a sistemas de produção mais sustentáveis.


Foto 2

©FAO/Erika Santelises

Julia Mañón, pescadora artesanal de Boca Chica, na República Dominicana, durante anos enfrentou o desafio de conservar adequadamente suas capturas e dependia de intermediários que reduziam seus ganhos [BX1.1]. Hoje, como integrante de uma organização de pescadores artesanais de sua comunidade, participa de iniciativas que fortalecem a cadeia de valor da pesca artesanal. Por meio do projeto FISH4ACP, implementado pela FAO com o apoio da União Europeia e do Ministério Federal Alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ), sua associação recebeu capacitação em gestão organizacional e acesso a mercados, além do cofinanciamento de equipamentos para fortalecer a cadeia de frio.


Foto 2

©FAO/Erika Santelises

Com esse acompanhamento, do qual também participam o Conselho Dominicano de Pesca e Aquicultura (CODOPESCA) e a Universidade ISA, Julia fortaleceu suas capacidades em pesca responsável, manejo pós-captura e comercialização. Esses conhecimentos lhe permitiram melhorar a qualidade de seus produtos, ter acesso a melhores oportunidades de mercado, com o que pode oferecer pescado de maior qualidade, negociar diretamente com hotéis, restaurantes e supermercados da República Dominicana e gerar melhores oportunidades para as famílias pesqueiras de sua comunidade. Sua experiência demonstra que, quando as mulheres contam com ferramentas e oportunidades, podem transformar seus meios de vida e contribuir para o desenvolvimento sustentável de suas comunidades costeiras.


Foto 2

©FAO/Júnior Campelo

Reconhecer a contribuição das agricultoras para a segurança alimentar, a nutrição e o desenvolvimento sustentável; investir em políticas, programas e recursos que promovam seu empoderamento e autonomia econômica; e eliminar as barreiras que limitam seu acesso à terra, ao financiamento, à tecnologia, à capacitação e à tomada de decisões são aspectos fundamentais para desenvolver plenamente seu potencial como agentes da transformação dos sistemas agroalimentares. O Ano Internacional da Agricultora 2026 oferece uma oportunidade única para colocar as agricultoras no centro da agenda dos sistemas agroalimentares e acelerar a ação.