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A FAO é a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Trata-se de uma organização especializada da ONU que lidera os esforços internacionais para erradicar a fome, promover a segurança alimentar e nutricional (SAN) e cooperar como os países para que os sistemas agroalimentares sejam mais sustentáveis, inclusivos e resilientes. Tem expertise técnica para apoiar os países, por meio de acordos de cooperação técnica, na formulação, implementação, supervisão e avaliação de planos, programas e projetos voltados ao desenvolvimento rural, florestas, pesca, bem como na gestão sustentável dos recursos naturais que são essenciais para a SAN no longo prazo.

A FAO foi criada, em 1945, inicialmente por iniciativa de 44 países, incluindo o Brasil, com o  objetivo de combater a fome e reconstruir os sistemas agrícolas destruídos após a Segunda Guerra Mundial. O contexto era de milhões de pessoas em situação de fome, e grande instabilidade na produção de alimentos. Portanto, era necessário um esforço internacional coordenado para aumentar a produção global de alimentos, melhorar a nutrição, combater a fome e a pobreza rural, apoiar os países na reconstrução agrícola. A ideia foi inovadora para a época: nenhum país resolveria o problema da fome sozinho. Era preciso cooperação internacional, trocar conhecimento e desenvolver ações coordenadas entre governos. Esta visão permanece até hoje. 

A FAO é uma organização voltada a agregar conhecimento. Com a experiência acumulada por meio de sua atuação em diferentes países, e acesso aos resultados da implementação de soluções diversas, a FAO oferece suporte técnico altamente especializado relacionado à transformação de sistemas agroalimentares para que sejam mais eficientes, inclusivos e sustentáveis.

Oferece uma vasta gama de informações sobre tecnologias e boas práticas em alimentação, agricultura e nutrição, disponíveis para uso livre em pesquisas, desenvolvimento de políticas e programação técnica.

Tem como funções centrais reunir, analisar, monitorar e melhorar o acesso a dados  relacionados às suas temáticas, trabalhando com países e parceiros para identificar tendências de consumo, lacunas de políticas e investimentos, promover plataformas comuns e utilizar tecnologias emergentes. A organização produz publicações que são excelentes fontes para análises atualizadas, estudos de caso e dados de alta qualidade.

Além disso, a FAO trabalha para facilitar e apoiar países no desenvolvimento e implementação de instrumentos normativos e de definição de padrões para os sistemas agroalimentares — como acordos internacionais, códigos de conduta, normas técnicas, tecnologias digitais e boas práticas.

Também é responsável por promover diálogo de políticas sobre sistemas agroalimentares em nível global, regional e nacional. Apoia instituições em todos os níveis por meio de desenvolvimento de capacidades, na formulação, implementação, monitoramento e avaliação de políticas e programas baseados em evidências, além do aproveitamento de investimentos.

O apoio da organização também é realizado por meio de consultorias técnicas a governos para formulação de políticas públicas; desenvolvimento de marcos legais; assistência para planejamento estratégico; elaboração de projetos financiáveis por bancos (BID, Banco Mundial, FIDA etc.); e, implementação de programas nacionais.

A FAO pode ajudar a mobilizar recursos (humanos, de infraestrutura e financeiros) conectando governos a financiadores por meio da elaboração de projetos para captação de recursos junto a bancos multiaterais e propostas para fundos climáticos com o Global Environmental Fund e o Green Climate Fund.

A organização desenvolve capacitações: treinamentos presenciais e on-line para ministérios, institutos e secretarias sobre desenvolvimento de metodologias, transferência de tecnologia, criação de sistemas de monitoramento e avaliação.

Não. A FAO não é uma agência humanitária de distribuição direta de alimentos. Seu papel é estratégico e técnico, apoiando países a desenvolver soluções sustentáveis para combater a fome de forma estrutural.

A FAO é financiada por contribuições dos mais de 190 países membros, por recursos voluntários de governos e parceiros, por fundos internacionais e doações. O orçamento da FAO não é definido diretamente pela ONU (Assembleia Geral). Ele é aprovado pelos Estados Membros da Organização na Conferência da FAO, que ocorre a cada dois anos, onde é aprovado o Programa de Trabalho e Orçamento, e define-se o valor que a FAO vai gastar por área.

O orçamento da FAO é dividido em duas grandes partes:

  • Orçamento regular: contribuição obrigatória dos países membros, que financia o funcionamento básico da FAO;
  • Recursos voluntários: doações adicionais de países, bancos multilaterais e fundos internacionais. Atualmente, estes recursos representam a maior fatia do orçamento total.

O valor que cada país contribui com a FAO é definido por um sistema padrão da ONU chamado escala de contribuições. A contribuição de cada país é calculada com base na capacidade de pagamento (baseada no tamanho da economia, ou seja o PIB) e a renda nacional. Países mais pobres pagam menos e os mais ricos, pagam mais. Há um limite máximo e mínimo de contribuição. 

A FAO coopera tecnicamente na implementação dos projetos, programas e iniciativas dos governos, através da execução de projetos integrados ou complementares às ações dos mesmos. A FAO pode mobilizar financiamento junto a bancos multilaterais (BID, Banco Mundial), fundos internacionais e governos doadores, para que esses projetos aconteçam no âmbito nacional. 

A FAO é dirigida pelos seus 194 países membros e a União Europeia. A governança da FAO combina decisão política dos países com gestão técnica prevista pelos especialistas da Organização. Os países definem as prioridades da FAO, o orçamento e as estratégias, através da Conferência da FAO, principal órgão de decisão, do Conselho e demais Comitês e Comissões, constituidas pelos próprios países membros.

O Conselho é o órgão executivo que atua entre os períodos de sessões das Conferências, e é composto por um grupo menor de países eleitos, que se reúnem várias vezes por ano. Têm a função de supervisionar a execução do programa, acompanhar o uso do orçamento, orientar decisões operacionais.

As decisões da FAO são tomadas procurando o consenso entre países, porém, quando é necessário, são realizadas votações nas quais, cada país tem um voto. 

A FAO conta com 195 membros — 194 países e a União Europeia.  

Não. A FAO tem presença física permanente em cerca de 130 países por meio de escritórios nacionais. Há escritórios que cobrem mais de um país ao mesmo tempo. Também tem escritórios regionais (por exemplo, para América Latina e o Caribe), e subrregionais, como é o caso, por exemplo, de mesoamérica, ou o Caribe. No Brasil, a FAO possui um escritório nacional próprio, localizado em Brasília.

Não. O orçamento é definido e controlado pela sede da FAO, em Roma, Itália. Os escritórios nacionais têm gestão operacional, mas não governança total sobre os recursos. Ou seja, a sede controla a estratégia, distribuiçao e regras do uso do orçamento. O país tem autonomia para executar orçamento aprovado, implementar projetos, gerir atividades operacionais, articular parcerias locais, mobilizar recursos adicionais. E não pode alterar prioridades globais nem redistribuir grandes volumes de recursos entre programas.

A FAO trabalha prioritariamente com governos, mas também pode apoiar organizações internacionais, universidades, setor privado e organizações da sociedade civil, desde que os pedidos de assistência técnica sejam encaminhados pelos governos à FAO. 

Para solicitar assistência técnica da FAO, organizações nacionais devem primeiramente entrar em contato com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC). A depender da temática do projeto, recomenda-se também, contato com o ministério relacionado. As instituições podem propor acordos de cooperação, memorandos de entendimento ou projetos conjuntos com financiamento compartilhado: governo + FAO; doador internacional + FAO; setor privado (com salvaguardas) + FAO; universidades + FAO.

O ministério ou órgão acionado deve enviar à FAO uma solicitação formal; a descrição do problema; proposta de projeto ou área de cooperação. Ao receber a solicitação, a representação da FAO no país avalia se a proposta está alinhada ao seu mandato, analisa riscos e impactos, discute ajustes e encaminha para aprovação técnica e jurídica.

Sim. Alguns projetos abrem chamadas públicas para instituições, ou a FAO promove acordos de cooperação com instituições de governo e sem fins lucrativos.

Geralmente os anúncios são feitos no portal oficial da ONU, ou nas redes de comunicação da FAO.

É o documento da FAO que define as prioridades de coooperação entre a Organização e um determinado país, por um período específico. O MPP estabelece também os resultados esperados e principais áreas de impacto. Funciona como a base para o desenho de projetos, o estabelecimento de parcerias e a mobilização de recursos. O MPP para o Brasil, para o periodo 2024-2027, estabelece quatro eixos estratégicos de atuação: transformação econômica, inclusão social, governança institucional, meio ambiente e clima.

A cooperação Sul-Sul é a colaboração direta entre países em desenvolvimento (“países do Sul Global”). Promove troca de conhecimentos, experiências e tecnologias, baseada em solidariedade e interesses comuns. Foca em soluções adaptadas a contextos semelhantes. A cooperação triangular envolve três tipos de atores: país em desenvolvimento (que compartilhar experiência), mais outro país em desenvolvimento (que recebe o apoio), e um parceiro adicional, que pode ser um país desenvolvido, um organismo internacional ou um banco de desenvolvimento. A FAO atua como facilitadora da cooperação Sul-Sul entre países, e como parceira na cooperação triangular, provendo assistência técica e articulando recursos e associações adicionais.