Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO

Artesã paraguaia acredita no empoderamento da mulher rural, por meio do artesanato em algodão

A história de María del Carmen com o algodão começou quando ela tinha 10 anos de idade. Hoje, faz parte de seu trabalho, na produção de artesanato com DNA paraguaio.

@América González/FAO

Santiago do Chile, 8 de março de 2023 – A artesã paraguaia María del Carmen, 38 anos, acredita no empoderamento da mulher rural por meio da produção e comercialização do algodão, além de gerar uma importante fonte de trabalho e renda para as famílias que se dedicam à agricultura primária ou agricultura de pequena escala.

Sua trajetória profissional como artesã e instrutora em tear rústico no Paraguai está entrelaçada com sua história com o algodão, que começou quando ainda criança, o cultivava no jardim de sua tia, até os dias atuais, ao semear seu próprio algodão nativo e orgânico, a matéria-prima para as peças de vestuário que ela produz.

Em sua oficina, a artesã desenvolve uma série de artesanatos que procuram valorizar e dar visibilidade à cultura de seu país, através da técnica de bordado Ao po'i, que ela aprendeu quando tinha 7 anos de idade, e mais tarde por meio de técnicas de tecelagem e fiação, aprendidas no Instituto Paraguaio de Artesanato (IPA), em 2004. Ao po'i é uma palavra guarani que significa "tecelagem fina" e surgiu no século XIX em Yataity, Paraguai. Atualmente, é um dos produtos artesanais paraguaios mais apreciados no país.

Com o tecido Ao po'i, María del Carmen produz roupas, toalhas de mesa e lenços. Sua produção é comercializada através das redes sociais, digitalmente, diretamente aos compradores interessados. Além disso, a artesã também atua no Instituto Paraguaio de Artesanato (IPA), na filial IPA-Yataity, como instrutora de tear rústico, onde capacita pessoas interessadas em aprender bordado e tecelagem em tear. É no IPA-Yataity que funciona a escola de salvaguarda do autêntico Ao po'i, onde ensina tudo o que está relacionado com esta técnica.

A artesã observa, após anos de experiência, que no mercado o artesanato em algodão orgânico é muito mais valorizado pela qualidade diferenciada e que houve um aumento na procura por esse tipo de produto nos últimos anos.

María del Carmen incentiva as mulheres da América Latina e do Caribe a se dedicarem à atividade artesanal, baseada no uso da fibra do algodão: “não tenham medo de experimentar coisas novas. [Artesanato] é uma atividade que gera um benefício econômico, além de realização pessoal."

Ampliando conhecimentos

Com o apoio do projeto +Algodão e do IPA, María del Carmen ampliou seus conhecimentos na produção de artesanato em algodão participando do curso virtual Mais Algodão, Mais Artesanato: Desenvolvimento de uma minicoleção do fio à peça e no 2o Encontro Nacional da Rede Argentina de Mulheres  Algodoeiras, em Santiago del Estero. Nesse encontro, artesãs paraguaias e argentinas trocaram conhecimentos e experiências em fiação e artesanato em algodão.

O projeto de cooperação trilateral Sul-Sul +Algodão é executado pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e sete países parceiros, entre eles, o governo do Paraguai, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAG).

O trabalho da artesã pode ser acompanhado na rede social Lazos, criada no âmbito do projeto +Algodão para conectar experiências e conhecimentos sobre o algodão latino-americano sustentável. O Lazos é um aplicativo gratuito e está disponível para celulares por meio da Google Play Storee da App Store.

 A cadeia do algodão e a mulher rural

Trabalhar pela sustentabilidade do setor algodoeiro na região requer trabalhar para transformar os contextos de desigualdade e capacitar as mulheres rurais para seu empoderamento e participação em condições justas em todos os elos da cadeia de valor do algodão

De acordo com o estudo "Mulheres no Algodão: papéis de gênero e participação nas cadeias de valor na Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai e Peru", publicado no âmbito do projeto +Algodão, as mulheres rurais do setor participam de toda a cadeia de valor do algodão principalmente no elo produtivo, por meio de atividades como preparo da terra, plantio, monitoramento da colheita, bem como na destruição de soqueiras e na produção e comercialização de artesanato.