O algodão como ferramenta de transformação para as mulheres rurais latino-americanas é destaque em diálogo regional
FAO, ABC e Rede Latino-Americana de Mulheres do Algodão promoveram diálogo virtual sobre o empoderamento econômico das mulheres algodoeiras.
Santiago do Chile, 21 de outubro de 2024 – Em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres Rurais, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), no âmbito do projeto +Algodão, e a Rede Latino-Americana de Mulheres do Algodão, organizaram o evento virtual “Experiências exitosas de empoderamento econômico das mulheres na cadeia de valor do algodão”, dia 17 de outubro.
A atividade reuniu cerca de 60 participantes, entre agricultoras, pesquisadoras, extensionistas técnicas e gestoras públicas, entre outros, para debater o papel e os desafios enfrentados pelas mulheres do setor algodoeiro na América Latina em seu caminho rumo ao empoderamento econômico.
O projeto +Algodão é uma iniciativa do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO desenvolvida pela FAO e ABC em seis países da região: Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru.
Mariana Falcão, analista de projetos da ABC, sublinhou que o projeto +Algodão implementa diversas ações desde a produção até a transformação, com o enfoque de gênero como eixo transversal fundamental para promover a inclusão e a equidade das mulheres na cadeia algodoeira. “O empoderamento das mulheres do algodão é essencial para alcançar um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável”, destacou.
Por sua vez, Marcelo Paytas, diretor do Centro Experimental do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) de Reconquista, Argentina, ressaltou a liderança das mulheres na cadeia algodoeira, que contribuem com identidade tanto na produção quanto na comercialização do algodão.
Ingrid Zabaleta, assistente executiva regional do projeto +Algodão, lembrou que o Dia Internacional da Mulher Rural é uma oportunidade para visibilizar o papel crucial das mulheres rurais no desenvolvimento de seus territórios e na erradicação da pobreza e da insegurança alimentar. “É um dia para impulsionar mais esforços que melhorem as condições sociais, econômicas e culturais das mulheres rurais”, afirmou.
No evento, também foi anunciada a primeira presidência da Rede Latino-Americana de Mulheres do Algodão, a cargo da agricultora Graciela Galván, produtora de algodão agroecológico e membro da Rede Argentina de Mulheres do Algodão (RAMA).
Políticas públicas para as mulheres do algodão
Patricia de Lucena Mourão, coordenadora geral de organização socioeconômica das mulheres rurais do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar (MDA) do Brasil, destacou o papel essencial que as mulheres desempenham em todas as etapas da cadeia do algodão, desde o plantio até o processamento e a produção artesanal. “As mulheres são protagonistas desse processo, mas seu trabalho continua sendo desvalorizado e não reconhecido”, alertou Mourão, que apresentou as políticas públicas desenvolvidas no Brasil para as mulheres rurais: Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver; Programa Quintais Produtivos; e o Programa de Organização Produtiva e Econômica.
Do Peru, Marita Sánchez, chefe do Centro de Inovação Tecnológica Turística Artesanal Sipán (CITE-SIPAN), explicou que a instituição trabalha para posicionar o artesanato peruano nos mercados nacionais e internacionais, fortalecendo as associações e cooperativas de artesãs para melhorar sua competitividade. Entre as ações, desenvolvem oficinas de arte ancestral e de associação com grupos de mulheres, entre outras.
O estilista colombiano Juan Pablo Martínez apresentou as tendências da moda sustentável para a temporada de fim de ano de 2024, oferecendo recomendações às participantes sobre produtos de interesse atual que podem ser oportunidades de mercado para a produção artesanal.
Agregação de valor
Alejandro Fabbo, engenheiro mecânico do INTA, compartilhou a experiência do desenvolvimento de uma máquina descaroçadora adaptada às necessidades da produção agroecológica na cadeia de valor do algodão, atendendo a uma demanda concreta do setor liderado por mulheres da rede RAMA.
O evento foi encerrado com um painel no qual agricultoras e artesãs da Argentina e do Paraguai compartilharam suas experiências e desafios. As participantes destacaram a dificuldade de acesso a financiamento e crédito, e a necessidade de mercados mais seguros para a comercialização de seus produtos.
