Empoderamento feminino e políticas inclusivas na cadeia do algodão são destaques em encontro virtual promovido pelo +Algodão
Cooperação Internacional Brasil-FAO promoveu um diálogo regional de intercâmbio de experiências e estratégias para fortalecer as oportunidades das mulheres algodoeiras.
Santiago do Chile, 24 de junho de 2025 – Com o objetivo de fortalecer as capacidades em torno da comercialização de fibras, têxteis e artesanatos na América Latina, o projeto +Algodão, do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO, em parceria com a Rede Latino-Americana de Mulheres do Algodão, realizou no último dia 18 de junho um diálogo regional que reuniu agricultoras, artesãs, especialistas e representantes de organismos públicos e internacionais, da sociedade civil, entre outros atores.
O projeto +Algodão é uma iniciativa de cooperação Sul-Sul trilateral entre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e sete países parceiros. Seu objetivo é fortalecer a cadeia de valor do algodão, promovendo a inclusão socioprodutiva de mulheres e homens da agricultura familiar algodoeira.
Durante a abertura, Mariana Falcão, analista de projetos da ABC, destacou que o projeto promove espaços de diálogo para o intercâmbio de boas práticas e experiências em diversos temas relevantes para a região. “A temática de gênero está presente desde o início, criando raízes e ampliando seu alcance. Apoiamos a formação de redes de artesãs, de mulheres, acompanhando e facilitando esses encontros”, afirmou.
Catalina Ivanovic, especialista em gênero do Escritório Regional da FAO, apresentou um panorama geral da situação das mulheres rurais na região. “Se olharmos para a realidade, percebemos rapidamente que suas formas de trabalho são irregulares em termos de institucionalização ou contrato”, explicou. Catalina acrescentou: “Há lacunas no acesso à tecnologia, à extensão rural, à propriedade de rebanhos, à coleta de água e, também, às tecnologias de informação e comunicação, que afetam diretamente a cadeia do algodão”. Ela também destacou o trabalho do projeto +Algodão com o aplicativo Lazos, como ferramenta de apoio à liderança e capacitação de mulheres rurais.
Ivanovic também apresentou a campanha “Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos 2025”, que busca dar maior visibilidade às contribuições das mulheres rurais para o desenvolvimento sustentável da América Latina e do Caribe.
A economista Lorena Ruiz, do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC), fez uma análise global sobre o papel das mulheres no setor algodoeiro. Em 2024, o ICAC realizou uma pesquisa global com o apoio de diversas organizações, entre elas o projeto +Algodão, para coletar dados sobre a participação feminina no trabalho. Segundo Lorena, apesar do crescente reconhecimento das contribuições das mulheres no setor, cerca de 45,6% das organizações ainda não coletam dados específicos sobre sua participação. A pesquisa também investigou a proporção de mulheres em cargos executivos e de gestão no setor algodoeiro. Embora algumas entidades tenham avançado, muitas ainda apresentam níveis muito baixos de representação feminina em posições de liderança.
Do Brasil, Tereza Cristina de Carvalho, extensionista social da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (EMPAER-PB), apresentou o projeto Algodão Paraíba, cujo objetivo é atender à crescente demanda por insumos têxteis para a moda sustentável. O projeto abrange 51 municípios, com 451,18 hectares de área cultivada, uma produção de 161 toneladas de algodão em rama e 12,5 toneladas de pluma, beneficiando 367 famílias, das quais 50% são mulheres.
Do Peru, Jocelyn Laurel, do Ministério de Comércio Exterior e Turismo (MINCETUR), compartilhou a experiência institucional em estratégias de comercialização de fibras, têxteis e artesanato. “As estatísticas nacionais indicam que temos quase meio milhão de artesãos no país”, afirmou. Segundo Jocelyn, o Registro Nacional do Artesão inclui cerca de 83 mil pessoas, embora atualmente cubra apenas 20% dessa estimativa. “Mesmo assim, o ministério já está trabalhando em uma campanha de identificação e inclusão de artesãos no registro”, acrescentou.
Lautaro Viscaya, da Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (REAF), explicou que esse espaço é uma plataforma de diálogo político entre organizações da agricultura familiar camponesa e os governos da região. Destacou também o trabalho da comissão de gênero da REAF, que tem tido um papel fundamental ao longo dos anos, incluindo o desenvolvimento de três programas regionais de intercâmbio sobre políticas públicas de equidade de gênero. Ele anunciou ainda que um novo programa de intercâmbio já está em fase de elaboração, voltado para políticas públicas para mulheres rurais.
Na última parte do evento, Parisina Ribeiro, artesã de Minas Gerais (Brasil); Rocío Gorotiza, agricultora do Equador; e María del Carmen Gauto, representante das artesãs do Instituto Paraguaio de Artesanato (IPA), também compartilharam suas experiências.
A atividade foi uma oportunidade para dar visibilidade ao papel transformador que as mulheres desempenham nas comunidades rurais e no fortalecimento de economias locais sustentáveis. Segundo Adriana Gregolin, coordenadora regional do projeto +Algodão, eventos como este fortalecem as agendas das mulheres rurais produtoras de algodão, ao aproximar diferentes instituições e saberes, permitindo a construção conjunta de soluções e novas perspectivas para muitas mulheres que se encontram isoladas nos territórios rurais. “O projeto +Algodão, em seus 12 anos, tem trabalhado em conjunto com a área de gênero da FAO e com as organizações parceiras para valorizar as mulheres do algodão”, concluiu Adriana.
