Melhoramento genético: uma ferramenta chave para a revitalização do algodão na América Latina
A FAO e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) reuniram instituições de pesquisa da América Latina para trocar conhecimentos sobre programas de melhoramento genético e produção de sementes adaptadas na região.
Santiago, Chile – 22 de julho de 2025 – A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC), no âmbito do projeto +Algodão do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO, promoveram no dia 10 de julho o encontro virtual “Mais Algodão, Mais Sementes: Estruturação de um Programa Nacional de Melhoramento do Algodão”.
O objetivo foi apresentar o programa de melhoramento do algodão desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), bem como conhecer o estado das pesquisas sobre o tema nos países parceiros do projeto. A Embrapa é uma instituição brasileira fundamental que colabora com o projeto +Algodão há 12 anos.
O evento faz parte das ações da Rede +Sementes, lançada em 2020 pelo projeto +Algodão, que reúne representantes e especialistas da América Latina que trabalham com pesquisa em sementes de algodão, criando um espaço de intercâmbio de conhecimentos. Desde o início desta iniciativa de cooperação em 2013, o projeto identificou a necessidade de abordar a temática das sementes para contribuir com o fortalecimento da cadeia de valor do algodão latino-americano, ampliar as capacidades institucionais e fomentar políticas públicas de promoção e conservação das sementes — base essencial para um setor produtivo competitivo.
Na abertura, Hugo Leão, analista de projetos da ABC/MRE, destacou que há mais de uma década o projeto +Algodão oferece um espaço técnico e colaborativo para avançar em ações voltadas ao desenvolvimento da cadeia algodoeira. Ele também ressaltou que esse tipo de encontro busca identificar prioridades comuns e refletir sobre as possibilidades nacionais para o melhoramento do algodão na região.
Por sua vez, Adriana Gregolin, coordenadora regional do projeto +Algodão, reafirmou que o objetivo ao longo dos anos tem sido multiplicar e compartilhar conhecimento, destacando o papel fundamental dos parceiros para alcançar avanços. “Temos desafios, mas seguimos em frente com o trabalho”, afirmou.
Daniel Ferreira, chefe-adjunto do Centro de Pesquisa da Embrapa Algodão, destacou que, ao longo dos mais de 50 anos de história da instituição, o tema do melhoramento sempre foi central para o desenvolvimento de cultivares adaptados a diversas regiões do Brasil e do mundo, como a América Latina e a África. “Quando falamos de melhoramento, precisamos falar de diversidade e variabilidade, pois é a partir delas que se geram cultivares adaptados a diferentes situações e contextos. Queremos que este seja um espaço de aprendizagem mútua”, expressou.
Melhoramento e conservação
Wilson Hugo, oficial agrícola da Unidade de Sementes e Recursos Genéticos da FAO, apresentou o marco internacional sobre conservação e melhoramento de sementes. Ele ressaltou que, no contexto atual, é imprescindível contar com sistemas funcionais e eficientes, e que a conservação dos recursos genéticos é essencial para alimentar os 8 bilhões de habitantes do planeta. Explicou ainda que, dentro da FAO, existe a Comissão de Recursos Genéticos, que coordena vários grupos técnicos e fitogenéticos focados no fortalecimento dos sistemas de sementes e dos recursos genéticos vegetais.
Camilo Morello, pesquisador da Embrapa Algodão, apresentou o Programa de Melhoramento Nacional do Algodão desenvolvido pela instituição. Afirmou que o melhoramento de sementes não é feito para as instituições, mas sim para quem produz. Também destacou que o programa de melhoramento da Embrapa é o único programa público em funcionamento com capacidade real de alcançar o mercado, atendendo produtores de todos os portes.
Melhoramento genético e revitalização da produção algodoeira
Na segunda parte do encontro, representantes de instituições de pesquisa dos países parceiros do projeto +Algodão compartilharam o estado atual dos programas nacionais de melhoramento do algodão. Participaram o Instituto Nacional de Investigação Agropecuária (INIAP) do Equador, o Instituto Nacional de Inovação Agrária (INIA) do Peru, o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) da Argentina, a Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (Agrosavia) da Colômbia, o Instituto Paraguaio de Tecnologia Agrária (IPTA) do Paraguai e o Instituto Nacional de Inovação Agropecuária e Florestal (INIAF) da Bolívia.
O melhoramento genético do algodão é fundamental para revitalizar a produção algodoeira, especialmente no contexto da agricultura familiar. O trabalho das instituições de pesquisa da região envolve a recuperação de variedades nativas, o melhoramento e a adaptação de cultivares às condições locais, bem como o fortalecimento dos bancos de germoplasma. Essas instituições têm conduzido processos de pesquisa e melhoramento genético ao longo dos anos com o objetivo de melhorar a competitividade do setor, ampliar a disponibilidade de sementes para os agricultores e elevar os índices produtivos de variedades adaptadas à realidade de cada país
