Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO

Brasil e Chile fortalecem a cooperação Sul–Sul para impulsionar cidades mais verdes e os sistemas alimentares

No âmbito do Programa de Cooperação Internacional Brasil–FAO, representantes de ambos os países compartilharam experiências sobre governança e financiamento ambiental na agenda urbana.

05 de fevereiro, Santiago do Chile – Para fortalecer a agenda climática com enfoque alimentar, representantes do Governo do Brasil — da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e do Ministério do Meio Ambiente — junto com a representação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), participaram de uma missão técnica no Chile.

O objetivo foi promover o intercâmbio de aprendizados em torno de cidades mais inclusivas, resilientes e sustentáveis. A delegação conheceu em primeira mão a experiência chilena na formulação e implementação do projeto GEF (sigla em inglês para Global Environment Facility) 8 Cidades Sustentáveis, que conta com a FAO como agência implementadora em Infraestrutura Verde e Soluções baseadas na Natureza para áreas urbanas no Chile.

A missão Chile–Brasil foi realizada no âmbito do projeto regional Sistemas Agroalimentares Urbanos do Programa de Cooperação Internacional Brasil–FAO, do qual o Chile faz parte, como uma oportunidade estratégica para compreender como o financiamento ambiental pode impulsionar a transformação dos sistemas alimentares urbanos, a partir da perspectiva de integração entre ação climática e agenda alimentar nas cidades.

A experiência do Chile foi uma referência prática para o Brasil. Durante as reuniões, as equipes técnicas analisaram os passos institucionais, a governança intersetorial e os mecanismos de coordenação com os governos locais do Programa de Impacto de Cidades Sustentáveis do Fundo Global GEF-8, que tem o Chile como o primeiro país da América Latina a implementá-lo.

Como resultado dos acordos alcançados, a cooperação entre o Brasil e a FAO acompanhará a formulação de uma nota conceitual para o desenho do projeto GEF 9, com o título “Cidades Verdes que Alimentam” no Brasil, com foco nas cidades sustentáveis como porta de entrada ambiental, incorporando os sistemas alimentares como componente estruturante da transformação territorial. Esse projeto buscará ampliar e potencializar os impactos de duas iniciativas nacionais brasileiras: a Estratégia Alimenta Cidades, liderada pelo MDS; e a Estratégia Cidades Verdes, liderada pelo Ministério do Meio Ambiente.

Compartilhando experiências
Durante as jornadas de trabalho, as equipes brasileiras apresentaram iniciativas como a Estratégia Alimenta Cidades, coordenada pelo MDS, que fortalece os sistemas alimentares urbanos e territoriais por meio da articulação entre campo e cidade; o Marco de Referência de Sistemas Alimentares e Clima para Políticas Públicas, lançado durante a COP30; e o Plano de Aceleração de Soluções para a Transformação dos Sistemas Alimentares e a Ação Climática, desenvolvido em colaboração com a FAO.

“Compartilhamos a experiência do Alimenta Cidades, uma estratégia que integra sistemas alimentares e clima em nível local, e também aprendemos com a experiência chilena. Foram identificadas importantes convergências entre as políticas, especialmente nos processos de formulação e governança, que envolvem múltiplos atores em níveis nacional, local e territorial”, destacou Gisele Bortolini, coordenadora-geral de Promoção da Alimentação Saudável do MDS.

Para Riffat Rego Iqbal, analista de projetos da ABC/MRE, Brasil e Chile compartilham desafios comuns no contexto urbano, como os impactos das mudanças climáticas, a redução das desigualdades, o fortalecimento da resiliência territorial e a promoção de sistemas alimentares urbanos mais justos, sustentáveis e inclusivos. “O intercâmbio nos permitiu compartilhar experiências e desafios com o objetivo de construir cidades mais sustentáveis, resilientes e inclusivas para nossas populações”, afirmou.

A delegação brasileira conheceu de forma direta a Estratégia de Cidades Verdes, liderada pelo Ministério da Habitação e Urbanismo (MINVU) do Chile, que integra infraestrutura verde, soluções baseadas na natureza, restauração ecológica, gestão hídrica e bem-estar urbano em uma política pública nacional.

Nas visitas técnicas em campo a diferentes parques urbanos de Santiago, o grupo conheceu iniciativas de recuperação e restauração de áreas verdes em espaços que anteriormente funcionavam como lixões e depósitos de resíduos. Atualmente, esses locais abrigam biodiversidade urbana, com a recuperação de rios e lagoas e a preservação de espécies nativas; contribuem para a segurança alimentar, com cerca de 30% das árvores plantadas produzindo frutos; e promovem a equidade ambiental por meio de parques multiuso que ampliam o acesso a áreas recreativas.

Entre os espaços visitados destacou-se o Parque André Jarlán, na comuna de Pedro Aguirre Cerda, um ponto-chave da Estratégia de Cidades Verdes. Na municipalidade de Cerro Navia, a delegação conheceu o primeiro banco municipal de alimentos do país. Esse município preside a Rede de Cidades Intermediárias e Sistemas Alimentares (CISA), que reúne 68 municípios e promove o fortalecimento dos sistemas alimentares locais.