Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO

Artesãs do Brasil, Paraguai e Peru trocam experiências no II Festival Internacional de Artesanatos

Evento promoveu o intercâmbio de saberes ancestrais e valorizou o algodão como base do artesanato e da identidade cultural na América Latina.

17 de março de 2026, Brasília, Brasil – Cerca de 100 artesãs do Brasil, Paraguai e Peru trocaram experiências, saberes ancestrais e boas práticas vinculados ao uso do algodão como matéria-prima durante o II Festival Internacional de Artesanatos, realizado no Peru de 7 a 13 de fevereiro de 2026. O festival incluiu oficinas, intercâmbio de boas práticas e exposições itinerantes de artesanato promovidos nas cidades de Lambayeque, Mórrope, Chiclayo e Túcume. 

O encontro reuniu artesãs, instituições públicas, pesquisadores e representantes de organizações locais com o objetivo de fortalecer a valorização e promoção do legado do artesanato têxtil na região, incentivar o reconhecimento da arte têxtil como patrimônio cultural e promover os ofícios ancestrais vinculados ao cultivo e ao uso do algodão. 

A iniciativa integra as ações da Rede Latino-Americana de Mulheres do Algodão, criada em 2024 com objetivo de reunir atores-chave comprometidos com a promoção do protagonismo das mulheres rurais e a redução das desigualdades de gênero na cadeia de valor do algodão na América Latina. A Rede é impulsionada pelo projeto +Algodão, uma iniciativa do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO desenvolvida pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). 

A responsável pelo Programa Nacional de Cultivo de Algodão do Instituto Nacional de Inovação Agrária (INIA-Peru), Marité Nieves, destacou o importante trabalho da Rede, reunindo diversos atores e instituições por meio de um esforço colaborativo para a promoção e valorização do trabalho das mulheres rurais e seus múltiplos papeis que exercem desde a produção no campo até a confecção de roupas. “É um trabalho importante e construtivo que garantirá a sustentabilidade do setor. Vamos continuar juntos por mais algodão latino-americano", afirmou.

A segunda edição do festival, e a primeira realizada presencialmente, reuniu artesã dos três países que possuem um trabalho reconhecido no artesanato local, além de representantes de instituições nacionais peruanas. A primeira edição foi realizada virtualmente em outubro de 2025 e reuniu mais de 45 participantes. Do Brasil, participaram as artesãs Marlice Machado e Ivone Machado; do Paraguai, Carolina Gimenez, além das artesãs do Peru. O projeto +Algodão foi representado pela especialista em Comunicação para o Desenvolvimento, Fernanda Scherer. 

Governo, artesãs, pesquisadores e agricultores juntos pelo algodão

O II Festival Internacional contou com visitas a instituições de pesquisa e conservação do algodão nativo peruano, incluindo a Estação Experimental INIA–Vista Florida, a Universidade Nacional Pedro Ruiz Gallo e o Instituto de Investigação do Algodão Nativo, que atuam no resgate, preservação e fortalecimento de capacidades relacionadas a essa fibra ancestral. 

A delegação participou de atividades práticas e de intercâmbio com mestras tecelãs vinculadas ao Centro de Inovação Tecnológica, Turística e Artesanal de Sipán (CITE Sipán), como a Associação de Artesãos do Vale das Pirâmides de Túcume, que promove a troca de conhecimentos e experiências que mantêm viva a cultura ancestral do artesanato em seus países. 

A programação também incluiu visitas a museus e oficinas de artesãos locais, integrando história, turismo e artesanato. O festival foi encerrado na sede da Gerência Regional de Comércio Exterior e Turismo, com a participação de instituições públicas, organizações de artesãos e representantes do setor do algodão nativo do Peru. 

Sabedorias Ancestrais

A Exposição Sabedorias Ancestrais, realizada no marco do Festival, destacou a força do saber milenar preservado pelas mãos das tecelãs do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, Brasil. As obras apresentadas foram criadas especialmente para a mostra e revelaram desenhos tradicionais bordados diretamente no tear, evidenciando a complexidade técnica e simbólica desse fazer ancestral. 

Para a artesã brasileira Marlice Machado, é muito importante encontrar outras mulheres que também trabalham com o algodão nativo e vivenciar a arte delas. “Foi uma troca não só de experiências e de trabalho, mas de saberes. Trouxemos um pouco do nosso trabalho para o Peru, e vamos levar um pouco do trabalho delas para o Brasil”. 

Apoiadores

A participação das tecelãs no Festival foi viabilizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, com apoio do Governo de Minas Gerais, do Ministério da Cultura, Governo Federal e do projeto +Algodão. Também contribuíram instituições que apoiam a Rede Latino-Americana de Mulheres do Algodão, entre elas o Centro de Inovação Tecnológica em Turismo e Artesanato CITE Sipán (Peru), o Instituto Nacional de Inovação Agrária (INIA) do Peru, a Gerência Regional de Comércio Exterior, Turismo e Artesanato (GERCETUR) do Peru, Ministério de Desenvolvimento Agrário e Irrigação (MIDAGRI), o Instituto de Algodão Nativo (Peru), a Associação das Tecelãs do Vale do Jequitinhonha (Brasil), a Cooperativa Ao Po'i de Yataity (Paraguai) e a Associação de Artesãos do Vale das Pirâmides de Túcume (Peru).