Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO

Cooperação internacional entre Colômbia, Brasil e FAO impulsiona a cadeia de valor do algodão colombiano até 2026

Durante a COP 16 na Colômbia, foi oficializado o compromisso com mais de 1.200 famílias produtoras, por meio do projeto +Algodão.

Bogotá, 4 de novembro de 2024 – Com o objetivo de melhorar a competitividade da agricultura familiar algodoeira colombiana, beneficiando 1.200 famílias produtoras, os governos do Brasil e da Colômbia, juntamente com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), assinaram a segunda fase do projeto +Algodão Colômbia. 

A continuidade da aliança, que será estendida até 2026, foi celebrada na quarta-feira, 30 de outubro, durante a COP16 sobre Biodiversidade, realizada na cidade de Cali, Colômbia. 

O projeto +Algodão Colômbia é desenvolvido conjuntamente pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), pela FAO e pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (Minagricultura) da Colômbia, no âmbito do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO. A primeira fase começou em 2017. 

Participaram da assinatura o embaixador do Brasil na Colômbia, Paulo Estivallet de Mesquita, a ministra de Minagricultura, Martha Carvajalino, e o representante da FAO na Colômbia, Agustín Zimmermann. 

Esta iniciativa de cooperação Sul-Sul trilateral visa impulsionar a cadeia produtiva do algodão e melhorar a competitividade do setor nas regiões da Zona Interior, Caribe e Orinoquía, por meio da adoção de boas práticas e novas tecnologias, além de fortalecer as capacidades técnicas, institucionais e organizacionais dos atores da cadeia colombiana. 

A fase 2 contará com recursos financeiros de cerca de 200 mil dólares e assistência técnica do governo brasileiro e com uma contribuição adicional de outros aproximadamente 200 mil dólares, por parte do governo colombiano, por meio do projeto ‘Apoio ao fortalecimento do subsetor algodoeiro colombiano, mediante a melhoria da competitividade dos sistemas de produção sustentáveis’, desenvolvido junto com a FAO. Esta iniciativa representa um esforço conjunto para impulsionar o setor algodoeiro nacional através de conhecimento e agregação de valor ao algodão, buscando também a certificação do algodão. 

Fortalecendo a capacidade produtiva

No primeiro semestre deste ano, já foram estabelecidas 16 Unidades Demonstrativas de Cultivo de Algodão nos departamentos de Tolima e Huila. Para o segundo semestre de 2024, prevê-se a instalação de 52 unidades adicionais em Córdoba, Sucre, Magdalena e Guajira, fortalecendo assim a difusão de tecnologias e conhecimentos para ampliar a capacidade produtiva e a rentabilidade da cadeia algodoeira em regiões estratégicas. 

O projeto +Algodão Colômbia conta com múltiplos parceiros institucionais brasileiros e colombianos que trocam experiências, boas práticas e fornecem orientação técnica aos agricultores e agricultoras beneficiados pelo projeto. 

Do lado brasileiro, as instituições cooperantes são: a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), a Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (ASBRAER), a Empresa Paraibana de Extensão Rural e Regularização de Terras (EMPAER-PB) e a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA). 

Do lado colombiano, cooperam a Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (AGROSAVIA), o Serviço Nacional de Aprendizagem (SENA), a Confederação Colombiana do Algodão (CONALGODON), a PROCOLOMBIA, a Colômbia Produtiva e a Agência Presidencial de Cooperação Internacional (APC-Colômbia) como parceira. 

O algodão colombiano, conhecido como “ouro branco”, é fonte de renda e emprego, principalmente nas pequenas propriedades. A primeira fase do projeto consolidou avanços significativos em termos de rentabilidade do cultivo, qualidade e reposicionamento do cultivo na agenda de políticas públicas e privadas, além de priorizar sua cadeia de valor nos planos de desenvolvimento nacional e regional. Esses resultados foram apresentados durante o programa “Caminhos da Reportagem”, da TV Brasil, transmitido em 7 de outubro, data que celebra o Dia Mundial do Algodão. Durante 15 dias, uma equipe de TV brasileira percorreu desde áreas desérticas até a costa da Colômbia para conhecer melhor o projeto. 

Graças à cooperação brasileira e à FAO, a Colômbia avançou na recuperação de materiais endêmicos, no fortalecimento dos atores da cadeia e na promoção de tecnologias que transformaram o setor algodoeiro. 

Semeando sustentabilidade

+Algodão parte do impulso e do acompanhamento técnico a produtores e produtoras da agricultura familiar e de pequena escala, sob um modelo que integra o cultivo de algodão a outras plantações e meios de subsistência que dão suporte à produção sustentável. 

O uso de insumos de base biológica, a rotação e associação de culturas, e o emprego de recursos técnicos e humanos existentes em cada território, facilitam a redução do impacto ambiental, promovendo sistemas agroalimentares e de produção mais eficientes e sustentáveis em âmbito econômico, ambiental e social.

A melhoria da oferta de sementes adaptadas aos requisitos agroclimáticos e a recuperação de materiais endêmicos nas zonas indígenas onde se desenvolve a cooperação +Algodão, orientam-se para a integração dos sistemas produtivos da ruralidade e da biodiversidade, como soluções aos principais desafios inter-relacionados enfrentados pelas pessoas e pelo planeta: mudanças climáticas, perda de biodiversidade, degradação de terras, insegurança alimentar e pobreza. 

Tecendo laços de cooperação Sul-Sul

Com o propósito de avançar na abertura de novos mercados, o projeto implementou medidas para melhorar a articulação, a agregação de valor e o fortalecimento dos atores da cadeia nos aspectos de qualidade e certificação. 

Durante esta segunda fase, um dos principais objetivos centra-se na obtenção da certificação do algodão sustentável colombiano, para a qual se avançou em uma aliança público-privada com o setor (CONALGODON), os empresários, por meio da Associação Nacional de Industriais (ANDI), e entidades governamentais como a Colômbia Produtiva, PROCOLOMBIA e o ICA. Também fazem parte da mesa de trabalho sobre certificação o Pacto Global, o SENA, Cormoda, algumas universidades regionais e grupos de designers e artesãs. 

“Celebramos esta aliança e estamos convencidos de que, com sua consolidação, contribuiremos para a criação de alianças estratégicas público-privadas ao redor da cadeia, o fortalecimento da associatividade entre produtores em apoio à agricultura familiar e a geração de oportunidades de acesso a mercados inclusivos para o algodão colombiano”, afirmou Zimmermann.