Cooperação Sul-Sul em alimentação escolar é destaque na Semana de Nutrição
Foram apresentadas as ações desenvolvidas pela Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES) para fortalecer os programas de alimentação escolar na ALC.
Brasília, Brasil, 29 de maio de 2026 - As iniciativas desenvolvidas pela Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES) no âmbito do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO para fortalecer as políticas de alimentação escolar na região foram apresentadas durante a Semana de Nutrição, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pela UN Nutrition e por outras agências das Nações Unidas com sede na cidade. Na ocasião, também foi destacada a experiência brasileira do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), reconhecida internacionalmente por promover a nutrição de milhões de estudantes e fortalecer a agricultura familiar.
A participação da RAES e do Brasil ocorreu na sessão “Fortalecendo a nutrição por meio da alimentação escolar inclusiva, diversa e local”, que contou com a abertura da primeira-dama do Brasil e embaixadora da alimentação escolar no país, Janja Lula da Silva. Em sua fala, destacou que cerca de 40 milhões de estudantes são beneficiados pelo PNAE, além de milhares de agricultores familiares que fornecem alimentos para as escolas, garantindo renda estável e fortalecendo a produção local.
A primeira-dama destacou ainda que a experiência brasileira inspira iniciativas de cooperação promovidas pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em parceria com organismos internacionais como a FAO, da qual recebeu, em 2026, o título de Campeã da Boa Vontade da FAO contra a Fome. Janja lembrou, ainda, que a criação da Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES), lançada em 2018 pelo Governo do Brasil com a secretaria-executiva da FAO, é considerada um avanço regional e uma lição aprendida no nível global.
“Fortalecer essa agenda internacionalmente é essencial para ampliarmos investimentos capazes de multiplicar a produção sustentável de alimentos e construir sistemas alimentares centrados nos direitos humanos, na biodiversidade e no cuidado com o planeta”, disse.
A RAES oferece apoio técnico para que os países implementem e fortaleçam seus programas de alimentação escolar com base no princípio do direito humano à alimentação adequada. A Rede promove a oferta de alimentos saudáveis, frescos e locais, respeitando as culturas alimentares, além de apoiar ações de educação alimentar e nutricional e o desenvolvimento de hortas escolares. Além disso, é uma evidência de avanços para melhorar a nutrição na região.
Espaço regional de intercâmbio
Fernanda Pacobahyba, presidente do FNDE, também comentou sobre a RAES, afirmando que a Rede se tornou um dos mais relevantes espaços regionais de intercâmbio técnico e político sobre alimentação escolar sustentável. “Hoje, 18 países integram formalmente a Rede, trabalhando conjuntamente em temas como universalização da alimentação escolar, fortalecimento de marcos regulatórios, compras públicas da agricultura familiar, educação alimentar e nutricional e melhoria da infraestrutura escolar”, afirmou a presidente, ressaltando que a cooperação regional tem produzido resultados concretos.
Najla Veloso, especialista sênior de alimentação escolar da FAO na América Latina e no Caribe e secretária-executiva da RAES, apresentou os avanços da Rede e destacou o trabalho mais recente dos países membros na construção de uma agenda regional para fortalecer a alimentação escolar. A agenda está estruturada em sete eixos prioritários: gestão e governança, financiamento, marcos regulatórios, compras públicas da agricultura familiar, educação alimentar, nutricional e ambiental, monitoramento e avaliação e promoção de dietas saudáveis.
Há oito anos, a RAES impulsiona o diálogo, fortalece capacidades e promove o intercâmbio de experiências entre os gestores públicos da região. Atualmente, integram a Rede como países membros Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Paraguai, Peru, República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, Suriname e Uruguai.
Encerrando o painel, Cecília Malaguti, responsável pela cooperação sul-sul trilateral com organismos internacionais da ABC/MRE, afirmou que a experiência brasileira demonstra como as políticas públicas universais e sensíveis à nutrição podem melhorar a saúde e a aprendizagem dos estudantes, fortalecer a agricultura familiar, promover a igualdade de gênero e impulsionar sistemas alimentares mais sustentáveis. Malaguti também destacou a relevância do intercâmbio técnico promovido pela cooperação internacional em alimentação escolar, desenvolvido pelo Brasil há quase duas décadas em parceria com diferentes países e organismos internacionais.
O evento reuniu representantes de países como Quênia, Finlândia e Filipinas, além de especialistas internacionais. Durante os debates, especialistas e integrantes de governos destacaram que a alimentação escolar pode desempenhar um papel estratégico na transformação dos sistemas agroalimentares, contribuindo para melhorar a nutrição de milhões de estudantes e fortalecer as economias locais por meio da articulação com a agricultura familiar.
Agendas
Além da participação nas sessões temáticas da Semana de Nutrição, houve agenda de reuniões e diálogos estratégicos com organismos internacionais e parceiros multilaterais. Houve encontros com representantes do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), do Programa Mundial de Alimentos (WFP) e da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil no âmbito do G20.
Também houve uma reunião com o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, na qual reforçou-se o papel da RAES para fortalecer a nutrição e a alimentação escolar na América Latina e Caribe. O compromisso do Brasil com o intercâmbio de conhecimentos e o fortalecimento da cooperação Sul-Sul para o enfrentamento da fome e da pobreza também foi destacado.
